Doi-me a mente
Doiem-me as horas que passam
as horas que gasto a aprender
as horas que gasto a dormir
as horas que gasto a comer
Doi-me o ser
doi-me o ser por nada ser
por em nada me transformar
e por assim me ver morrer
Doi-me a voz
não do canto, mas do grito
que eu gritando assim aflito
grito mais que todos vós.
Doi-me a solidão
que eu remo contra marés e vendavais
e remando mesmo sem mãos
remo mais do que os demais.
Doi-me tudo quanto não existe
doi-me esta vida triste
que eu não soube mudar
doiem-me as lágrimas de pranto
que por hoje são meu canto
por hoje não poder cantar...
Quero ser de novo criança
aprender de novo a ler,
desta vez no teu olhar,
o teu amor.
Escrever na tua pele,
em jeito de lembrança,
meu amor no teu,
em flor.
Sorrir a cada aurora
pela noite que devora
o silêncio,
e não a dor.
Brincar em teus abraços
abraçar o teu amor
como manta de retalhos
oferecendo calor.
Quero ter estrela guia
nessa história de encantar
sonhar mesmo de dia,
te amar.
Que a inocência leal,
perdida em terras d'álem
faça no amor real,
o que de real o amor tem.
Posso fazer-te sorrir
quando de dor te apetecer chorar,
e te apetecer o coração arrancar
e quando quiseres o passado apagar
e uma página nova virar.
Sou tua, para quando me quiseres usar,
para quando me quiseres fazer sonhar
e a tua mão me quiseres dar
num devaneio teu, ou meu...
Para quando quiseres errar.
Sabes bem, onde vou estar para ti,
onde pela primeira vez te vi,
onde me embrieguei no teu olhar
e não me cansei de o olhar e olhar
e de em silêncio, por ti, desmaiar
Os meus lábios,
não gritam o que sinto,
e assim minto, sem te querer mentir,
sem te querer ou poder ferir,
sem ser capaz de te falar, de te abraçar, de te olhar
Cobardia dos sentimentos
ou ousadia da mente
sentir no coração o que a mente também sente
e afagar contra o peito esse imenso sentimento
sem o deixar transparecer
porque a nós, falta-nos tempo...
A garrafa vazia em cima da cama denuncia mais uma noite vazia de sentimentos, de ideias, de amor; uma noite vazia de ti, das tuas palavras das tuas mãos do teu olhar...Percorro as imagens da minha mente na tentativa de te relembrar em alguma delas...nada, é tudo o que encontro de ti, levanto-me, vasculho todos os cantos da casa, chamo o teu nome e tudo o que me resta é a tua fotografia, olho para ela, em busca de achar o teu olhar, aquele com que me mentes, mas que me encanta, aquele com que me sorris e com que me trais os sentimentos, aquele que julguei meu mas que na verdade nunca me pertenceu.
Dizer que me apaixonei por ti, seria mentir-te, se o que na realidade aconteceu não passou de uma súbita troca de olhares, e de uma inexplicavél identificação de sentimentos de uma irresponsabilidade gigantescaaaaa da minha parte... de tua parte não passou de MAIS UMA brincadeira, e eu estúpida, caí na tua teia de Homem-aranha, errei e não me irei perdoar, não irei sorrir, mas não irei chorar, viverei com as culpas sob os meus ombros, sobre o meu coração, à espera de mais uma mentira tua...
Doi saber que o exarcebo da minha estupidez me levou à distorção da realidade intra-cardiaca dos meus sentimentos. A tua fotografia tomou lugar de destaque no meu quarto, colei-a no tecto, para ter a certeza de que és inacessível, para ter a certeza que estás longe demais para te poder alcançar...passo então horas a olhar-te, em busca de um qualquer terramoto que, alterando a polaridade da terceira dimensão nos coloque num mesmo plano espacial tornando o impossível possivel, tornando o meu sonho (em ti) real.
hummmm....
Adoro levantar-me numa manhã de Verão,
pousar os pés no chão e sentir-me a voar,
lembrar coisas que não vivi, mas que sonhei,
que imaginei, que desejei...
como é bom ser criança outra vez
como é bom imaginar a nossa felicidade
ou ser realmente feliz
ser da vida aprendiz
com os erros que cometi...
ou então não!!!!!
erros....quem os define como tal?
eu? tu?
e quem somos nós afinal????
Vivo hoje sem me importar com mais nada
sem ter abrigo na beira da estrada
sem viver ao passado ancorada.
Se aprendi algo, foi que ser criança é bom;
critique-me quem quiser
por eu não querer crescer...
SOU FELIZ ASSIM,
sem esperar nada da vida :)
Há sonhos que estão a tardar
Já chorei demais por isso
Chegou a hora de os viver
Em vez de ficar a olhar
à espera de os encontrar.....
OBRIGADA;)
a ti...
Apetece-me rasgar-me
como se de uma folha de papel eu própria me tratasse,
quero apagar da minha pele as impressões do teu abraço
a suavidade do teu cheiro
quero rasgar-me e sangrar até mais não poder
afinal, se não te posso ter
de que me serve viver?
Sinto em mim algo de estranho
algo que se entranhou em mim
e então eu quero morrer
para morreres comigo assim
Sei que se queimar o meu coração
o meu amor morre, sei bem
e como o meu coração é teu
se o queimar, queimo-te também
Quero afastar-te de mim
distingo o certo do errado,
mas quero-te ao pé de mim
quero-te a meu lado
Não compreendo que amor feroz é este
Que me atingiu vindo do nada
Quero arranca-lo para não sofrer
para não te ver morrer
Amar-te seria matar-te
Beijar-te seria arrancar-te o espírito
e esse deve ser livre
por isso vou-te deixar voar
nem que tenha de meu coração "anular".
Passam as horas, são 3 da manhã, espero um sinal teu, um telefonema, uma mensagem algo que me diga que te apercebeste da minha existência.
A esperança desvanece-se e da lugar a uma lágrima. Aproximo-me da janela, as luzes da cidade estão acesas, a fazer-me recordar que mesmo na noite há algo que brilha, mas, na minha noite não vejo estrelas hoje, tal como sempre foi....
Volto para a cama, recomeço a escrita de mais uma música, mas uma a falar de ti, mais um conto de fadas onde as pessoas como tu têm sentimento, mas não passa disso, um conto de fadas, uma história de embalar para crianças onde sempre há um final feliz; mas, e se não houver final, nem começo???
Impressionante como o nosso coração nos prega partidas, e como a nossa mente não o consegue contrariar...tenho nojo de mim por isso, e tenho nojo de ti e do mundo, de tudo o que me faça lembrar de ti.
Acabo finalmente a "nossa" música e rasgo a letra na esperança de te rasgar também de mim, mas nada consegue apagar-te, talvez sejas a minha luz no meio da cidade, talvez sejas a escuridão no meio do meu dia, só sei que te quero fora do meu mundo...por isso construo 2 corações no meu, um para ti, outro para mim, talvez consigamos partilhar o mesmo espaço sem interferir um com o outro, sem criar esperança ou sequer acender uma luz numa noite sem estrelas...
Os corvos,
de novo aqueles necrófagos sentimentais
comem-me as entranhas de vida
comem a réstia de esperança que me resta
os olhos,
cerro-os para não visualizar
o negro lençol sobre mim estendido
de penas e de medos
não,
não faço qualquer esforço
não me restam forças para tal
perdi as batalhas e a guerra final
e eu,
soldado do lado alvo do tabuleiro
perdi para as sombras
morri de pescoço quebrado
naquele ilustre cruzeiro.
houve um chek mate final
não ganhou nem o bem nem o mal,
ganhou o lado onde eu não existi,
o lado ao qual não me vendi.
Olhei lá fora a inexistência de mim
Procurei, chamei, vagueei por ruas que não tinham fim
Chamei meu nome, outra e outra vez
Não me encontrei, não existo eu talvez
Desenfreada fúria da minh'alma
Nesse dia estava perdida, mas contudo estava calma
As janelas fechavam-se à passagem do meu chamado
E eu ali, sozinho ser, enlameado, desabitado
Procurei não me perder de vista
Afinal eu era um sonho, uma vida uma artista
Desajeitadamente morri ali
Assustada ao encontrar-me, assustada com o que vi
Relato inimaginável da degradação humana
A magia de uma vida transformada num só drama
Puxei pelo fio, senti aquele frio a vir ao de cima
O drama acabou, o sonho terminou, fechou-se a cortina.
sei que somos nós
que aquecemos o dia
quando fazemos magia
nessas horas dificeis
sei que nunca estamos sós
há outras humanidades
e um milhão de verdades
escondidas
sem saber que têm direito
a ter algum defeito
a ter alguma ambição
e nos
que nunca os deixamos sós
podemos dar-lhes as mãos
sem lhes impormos senãos
pobres mendigos da vida
sem ter alguma comida
vivem do po da estrada
morando em tectos de chuva
vivendo a vida que não muda
vendo em si a tristeza ancorada